Me perguntam se estou bem e a pergunta, mera formalidade, indica que minha resposta deveria seguir o padrão: “sim, estou bem e você?” Porém, ando me rasgando nas respostas e revelando mais do que eu deveria. Torno-me vulnerável. Por vezes, presença desagradável que traz sempre consigo uma novena de desesperos e intemperes a se rezar. A minha oração inquieta e perturbadora a ninguém importa, de fato! A dificuldade é calar o ímpeto, manter a sóbria formalidade e encarar que a pergunta: você está bem? Carrega consigo a resposta engatilhada e sem nenhum risco de erro: sim, estou bem e você? Ao que meu interlocutor ou interlocutora responderá de pronto: estou bem, obrigada! Finda-se aí o risco da abertura de uma fenda para o íntimo, para o aprofundamento das relações e a descoberta nada agradável de que não, eu não estou bem. Uma vez que ocorra a brecha, navega-se em mares desconhecidos e perigosos, com tempestades e tufões, alguma calmaria e um triângulo das bermudas de onde não ...