Em 2020, tive a oportunidade de exercitar alguns textos e possibilidades de cenas como atriz, um lado meu que estava deixado de lado, já que minha atuação está mais ligada na direção e dramaturgia junto ao grupo que faço parte, o Núcleo Híbrido de Pesquisa Cênica. Dentre esses exercícios, surgiu Hécuba! Projeto que foi contemplado num dos editais da Lei Adir Blanc da Unidade de Gestão e Cultura da cidade de Jundiaí. Deixo aqui o vídeo postado no Youtube da Cultura! Vem assistir!! https://youtu.be/PuufO-6pfLA Hécuba rainha. Hécuba mulher. Hécuba mãe. Hécuba, cativa de guerra. Hécuba cadela. As várias faces de Hécuba se apresentam contaminadas umas nas outras e, muitas vezes, não é possível dissocia-las, nem que seja necessário também, porque Hécuba pulsa e transmuta diante de tudo que se passa diante de si. O seu coração, as suas vísceras e as suas ações são movidas pela passionalidade feminina e materna, humana e animal. Hécuba carrega em si os horrores da guerra, a impotência diante d...
Me perguntam se estou bem e a pergunta, mera formalidade, indica que minha resposta deveria seguir o padrão: “sim, estou bem e você?” Porém, ando me rasgando nas respostas e revelando mais do que eu deveria. Torno-me vulnerável. Por vezes, presença desagradável que traz sempre consigo uma novena de desesperos e intemperes a se rezar. A minha oração inquieta e perturbadora a ninguém importa, de fato! A dificuldade é calar o ímpeto, manter a sóbria formalidade e encarar que a pergunta: você está bem? Carrega consigo a resposta engatilhada e sem nenhum risco de erro: sim, estou bem e você? Ao que meu interlocutor ou interlocutora responderá de pronto: estou bem, obrigada! Finda-se aí o risco da abertura de uma fenda para o íntimo, para o aprofundamento das relações e a descoberta nada agradável de que não, eu não estou bem. Uma vez que ocorra a brecha, navega-se em mares desconhecidos e perigosos, com tempestades e tufões, alguma calmaria e um triângulo das bermudas de onde não ...
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